O que é depressão infantil e como identificar?

 

Depressão é uma doença grave. Se não for tratada adequadamente, interfere no dia a dia das pessoas e compromete a qualidade de vida. Nos adultos, é mais fácil de ser diagnosticada. Com as crianças, é diferente, elas aceitam a depressão como fato natural, próprio de seu jeito de ser.

 

Embora estejam sofrendo, não sabem que aqueles sintomas são resultado de uma doença e que podem ser aliviados. Calam-se, retraem-se e os pais, de modo geral, custam a dar conta de que o filho precisa de ajuda.

 

Os sinais mais significativos e mais frequentes na criança é a tristeza, irritabilidade, mau humor e a anedonia, que é a falta de prazer com as atividades habituais, como brincar, sair com os amigos, jogar videogame, ver TV etc.

 

Quais os sinais de uma criança com depressão?

 

A criança tem grande dificuldade para expressar que está deprimida. Primeiro, porque não sabe nomear as próprias emoções. Depende do adulto para dar o significado daquilo que se chama tristeza, ansiedade, angústia. Por isso, tende a somatizar o sofrimento e queixa-se de problemas físicos, porque é mais fácil explicar males concretos, orgânicos, do que um de caráter emocional.

 

Alguns aspectos do comportamento infantil podem revelar que a depressão está instalada. Por natureza, a criança está sempre em atividade, explorando o ambiente, querendo descobrir coisas novas. Quando se sente insegura, retrai-se e o desejo de exploração do ambiente desaparece. Por isso, é preciso estar atento quando ela começa a ficar quieta, parada, com muito medo de separar-se das pessoas que lhe servem de referência, como o pai, a mãe ou o cuidador. Outro ponto importante a ser observado é a qualidade de sono que muda muito nos quadros depressivos.

 

O que se tem percebido nos últimos anos é que a depressão, na infância, caracteriza-se pela associação de vários sintomas que vão além da ansiedade de separação. Ocorre principalmente no ambiente escolar onde a criança sente-se sozinha, sem a companhia de defesa, os pais. Portanto, a criança pode estar dando sinais de depressão quando a ansiedade de separação persiste e ela reclama o tempo todo de dores de cabeça ou de barriga, nunca demonstrando que está bem.

 

O Manual de Estatística e Diagnóstico de Transtornos Mentais determina a necessidade de identificar pelo menos cinco destes sintomas, com durabilidade de duas semanas, para comprovação do quadro.

 

Fique atenta a esses sintomas para saber quando levar seu filho para uma avaliação profissional.

 

  1. Alteração de humor, com irritabilidade e / ou choro fácil;
  2. Ansiedade;
  3. Desinteresse em atividades sociais, como ir a escola, brincar com os amigos ou com brinquedos;
  4. Falta de atenção e queda no rendimento escolar;
  5. Distúrbios de sono, como dificuldade pra dormir ou ter sono o dia inteiro;
  6. Perda de energia física e mental;
  7. Reclamações por cansaço ou ficar sem energia;
  8. Sofrimento moral ou insatisfação consigo mesmo, sentimento de que nada do que faz está certo;
  9. Dores na barriga, na cabeça ou nas pernas;
  10. Sentimento de rejeição;
  11. Condutas antissociais e destrutivas;
  12. Distúrbios de peso, emagrecer ou engordar demais;
  13. Enurese e encoprese (xixi na cama e eliminação involuntária das fezes).

 

Como é a avaliação psicológica da criança?

 

A criança nunca vai dizer que está deprimida. O profissional de Psicologia usa técnicas de ludoterapia para observar essa depressão de forma mais clara através dos desenhos e de testes. Portanto a avaliação psicológica é fundamental como forma complementar e de auxílio de diagnóstico.

 

É muito importante, tanto para o médico quanto para o psicólogo, procurar sempre conhecer a dinâmica familiar em toda a sua extensão no sentido de buscar a causa da depressão infantil na criança e a partir dela fazer uma intervenção direta. Em algumas situações os pais devem, também, ser orientados a uma terapia familiar.

 

Caso a depressão infantil não seja diagnosticada e tratada, a tendência é que a doença permaneça à espreita, acompanhando o paciente durante a adolescência e depois na vida adulta. Neste caso, o quadro pode assumir contornos diversos como isolamento, dificuldades de interação social, transtornos alimentares, abuso de drogas e ideações suicidas.

 

Vale lembrar que depressão é a doença do século e estudos mostram que ela vai aumentar significativamente, vamos começar a tratar as crianças no hoje, para que sejam adultos saudáveis.

Posted sept. 27, 2017 | by Bruna Moreira

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Posted sept. 27, 2017 | by Bruna Moreira
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