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O que você sabe sobre a birra dos dois anos?

De repente, aquele bebê que parecia tão quieto e tranquilo alguns meses atrás, grita, se joga no chão e provoca os mais diferentes sentimentos em você, da vergonha à raiva, passando pela vontade de rir. Lidar com a birra não é fácil, mas é inevitável. Veja como facilitar esse momento e conheça estratégias para conseguir evitar o show. Essa fase é chamada pelos pais e pediatras de “crise dos dois anos” ou “terrible two” (“terrível dois”, em tradução livre). Ela não é mito e faz parte do desenvolvimento do bebê.

As crianças entre os dois e os três anos de idade têm muitas habilidades, mas controlar os seus temperamentos não é uma delas. Aos dois anos, a criança, em geral, já se reconhece como um ser não mais fusionado e totalmente dependente de seu meio. Ela diz “eu” (ao invés de o nenê ou o João, para se referir a ela) e “é meu” (para defender o que deseja ou é sua propriedade). Em meio a esse reconhecimento de si mesma e do outro, a criança vai se posicionando no mundo, integrando suas experiências e construindo sua própria identidade. Consequentemente, ela se expressa de forma mais ativa para satisfazer-se e afirmar para si e para o mundo o que é importante para ela.

Isso acontece porque as crianças ainda não têm maturidade suficiente para lidar com uma determinada frustração e acabam explodindo. Essa explosão vem em forma de choro incontrolável, gritos e aquela movimentação intensa difícil de conter. Na verdade, em algumas situações, as crianças estão testando o limite dos pais para descobrir até onde podem chegar. Outras vezes, a birra é apenas um pedido de ajuda inconsciente para lidar com um sentimento novo que é a frustração.

Como as crianças aos dois anos não conseguem transformar claramente em palavras o que querem, sentem, pensam e vivenciam (esse é um processo bastante complexo, que implica em articulações que vão além de um vasto vocabulário), as birras se tornam comum diante da dificuldade verbal e de compreensão do que está sendo solicitado, sentido, desejado e pensado. Muitas vezes, temos a sensação de que as birras surgem “do nada”, sem motivo aparente ou por um motivo que para muitos olhos não têm razão de existir. Outras vezes, elas são vistas como um querer fora de hora ou uma chatice desnecessária. Isso, porque elas podem decorrer de pensamentos e sentimentos não verbalizados pela criança.

Com as birras, as crianças comunicam seu desconforto. Portanto, elas também são uma maneira encontrada pela criança de solicitar atenção e cuidado, de demonstrar que uma necessidade física não está sendo atendida (como sono, fome e dor), de expressar sentimentos como estresse (excesso de estímulo), tédio, angústia, insegurança, medo, entre outros.

As birras são comuns nesta idade porque as crianças pequenas começam a torna-se independentes, a desenvolver as suas próprias ideias, necessidades e desejos. Contudo, ainda não o sabem fazer utilizando palavras. E, então, fazem uma birra.

Essas birras infantis, além de ser uma forma de comunicação, são um “teste de poder” por parte das crianças. Na medida em que seu “eu” vai se manifestando e as experimentações se ampliam, é natural que a criança experimente até onde ela e quem está ao seu redor pode ir. Ao mesmo tempo, crianças tentam compreender os limites e, ainda, questionar aquilo que não vem delas. Com isso, um “não” diante de seus desejos, ou um pedido ou regra vinda de fora podem se tornar bem desagradáveis a elas.

Vamos lembrar que nesta idade as crianças demonstram seus desejos na espera de conquistá-los, mas precisam aprender a lidar com a frustração quando o que almejam não é alcançado. Sendo assim, as birras são também uma oportunidade de ensinar a criança sobre os limites que a vida impõe.

A boa notícia é que esta fase é passageira e que, por volta dos quatro anos, as birras desaparecem.

Como lidar com as birras?

É mais fácil prevenir uma birra do que lidar com ela. Procure colocar os seguintes conselhos em prática:

Desvie a atenção do seu filho para outra coisa;

Deixe o seu filho tomar decisões sobre pequenas coisas (“Queres comer um iogurte ou tomar um copo de leite?“);

Siga uma rotina diária de atividades divertidas, com descanso adequado e uma alimentação equilibrada;

Antecipe o que pode dececionar o seu filho e dê-lhe um escape (“Hoje não vamos comprar as tuas bolachas preferidas mas podes ajudar a escolher a fruta!“);

Congratule o seu filho quando ele se consegue controlar e reforce esse comportamento positivo exprimindo a sua satisfação por palavras.

Se não conseguir prevenir uma birra, experimente:

Não perca a calma. Não se exalte. Controle o seu comportamento e o modo como reage à birra. Nunca se esqueça de que você é o modelo que o seu filho deve seguir;

Diga ao seu filho como espera que se comporte e confie que ele irá seguir as suas indicações;

Apoiar e demonstrar compreensão perante o motivo que motiva a birra transmite segurança o que pode ajudar a acalmar a criança;

Durante um episódio de birra, leve calmamente o seu filho para um local tranquilo e fale com ele usando um tom de voz baixo e sereno. Quando a criança se sente segura, acalma mais facilmente;

Algumas crianças usam as birras para chamar a atenção dos pais. Neste caso, ignore a birra. Depois de o seu filho se acalmar converse com calma com ele sobre o sucedido e dê-lhe a atenção de que necessita;

Resista à tentação de reagir impulsivamente a uma birra. Mantenha a calma por mais díficil que seja e encare-a com algum sentido de humor. Não sobrevalorize o comportamento nem se exalte. Isso só agrava a situação;

Se a birra se deve a uma contrariedade ou vontade não satisfeita, não ceda só para acalmar o seu filho. Converse com ele, explique os seus motivos e faça-o compreender o seu ponto de vista, mas com calma.

Demonstre que não será com esse tipo de comportamento que terá as suas vontades ou desejos satisfeitos.

Como punir de forma criativa:

Não adianta punir crianças menores de dois anos. Elas não têm maturidade suficiente para perceber que fizeram uma coisa errada, muito menos que estão pagando por isso. Mas, por exemplo, se ela joga um brinquedo no chão ou em alguém e você tira o brinquedo, já pode ser um castigo para ela.

Castigos, quando bem aplicados, atendem ao senso de justiça que todas as crianças têm. A falta de punição, pelo contrário, as desorienta. Um olhar quieto e sério para um filho é um tipo de punição particularmente eficaz. O objetivo da punição é incomodar.

Para ser educativa, a criança precisa entender a relação entre o que fez e a consequência. A punição deve acontecer no mesmo momento, pois as crianças têm uma visão imediatista: ainda não aprenderam a pensar a longo prazo. Ou seja, depois de algum tempo, não sabem por que estão sendo castigados, esqueceram-se da birra e da importância que demos a ela. Por isso muitas crianças levam bronca dos pais e depois de alguns minutos chegam carinhosos, abraçam os pais como se nada tivesse ocorrido.

Papais e Mamãe lembrem-se que punir não é palmada, beliscão, castigo com dor, tapas. Isso tudo está mesmo fora de cogitação, e deixará a criança estressada podendo causar danos futuros na sua personalidade. Educar com inteligência é entender que existe muitos castigos construtivos, e seu filho irá aprender. Essa fase dos dois anos irá passar, seu filho irá crescer e tudo isso vai virar histórias, aproveite essa fase dos dois anos para amar muito, ensinar, e aprender também. Pois essa fase faz parte do desenvolvimento de todo ser humano, ou seja todos nós já passamos pelos “terrible two” (terrível dois).

Por | 2018-10-03T16:07:24+00:00 agosto 14th, 2018|

Sobre o autor:

É Neuropsicóloga Clínica. (CRP: 08/24662). Especializada no público infantil, seu consultório fica localizado na cidade de Curitiba. Realiza consultoria online com foco na saúde da mulher e maternidade. O objetivo da neuropsicóloga é utilizar a neurociência para colaborar com a qualidade de vida do ser humano. Este que está em constante evolução.

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